

Morrer inocente ou viver como assassino? Esse é o dilema do filme Batman - O Cavaleiro das Trevas dirigido por Christopher Nolan, que assina o roteiro ao lado do seu irmão, Jonathan. O filme que já superou as bilheterias de Shrek 2 como o terceiro maior filme de todos os tempos nos EUA, deve alcançar Star Wars como a segunda maior bilheteria, ficando atrás apenas de Titanic e seus inalcançáveis 600 milhões de dólares.
Bruce Wayne (Christian Bale) está mais rico e poderoso do que nunca. No início do filme, os criminosos de Gotham City estão acuados pela ação em conjunto de Batman “cavaleiro das trevas” e de um “cavaleiro da luz”, o promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart). Dent trabalha duro para se tornar um herói sem máscara, e acredita que o mal pode ter fim, se todos acreditarem e fizerem o que é correto. Seu discurso e suas atitudes fazem com que a Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) a jovem assistente da promotoria fique ao seu lado. O Coringa (Heath Ledger) ao longo do filme vai controlando completamente o mundo do crime que se mobiliza em um objetivo em comum: destruir Batman.
O filme faz várias indagações aos expectadores, como por exemplo: há um limite entre a lucidez e a loucura? O Coringa é um psicopata e um assassino sem dó. Seu jeito de andar, falar e agir contribuem para que não haja qualquer comparação com as suas versões anteriores. O desfecho da cena do hospital merece destaque. Coringa está mais louco do que nunca e faz medo. O realismo com que o ator Heath Ledger buscou no personagem é de arrepiar. Atuação perfeita, e é por isso que ele ganha a atenção no filme.
O vilão defende a tese de que não há fronteira entre lucidez e loucura, moralidade e imoralidade, entre correção e crime. Todas as pessoas seriam homicidas como ele, bastando um pequeno estímulo para assumirem esta condição. Para ele o certo e errado seriam apenas valores de conveniência em determinadas situações da vida. Mesmo as pessoas que se vêem como justas podem ser levadas a considerar que determinado valor é relativo quando está em jogo algo como a própria sobrevivência, ou a das pessoas que amam. Contudo, é no experimento social do Coringa que o filme mostra que é possível ao ser humano, mesmo em meio a mais dolorosa das tragédias, manter a consciência do que é certo e do que é errado, de que o mal é escolha e, portanto, responsabilidade de quem o comete.









